terça-feira, 21 de agosto de 2007

Perfeito!


A vontade de partir novamente começou logo no regresso da Escandinávia. No ano passado, portanto. Talvez não logo logo, que o corpo vinha cansado de estar dobrado no estreito espaço de uma cadeira de avião mas seguramente uns dias a seguir. Ao longo do ano várias hipóteses foram sendo levantadas, umas por pura loucura, outras já com os pés no chão, outras num misto de desejo recalcado que periodicamente nos visita. Eu diria, à falta de palavra melhor, quer a escolha do destino teve as suas "peripécias".

Após um ano cheio de trabalho a cabeça já não tem espaço para muita coisa a não ser pensar numa forma de se evadir de tudo o que rotulamos de "importante", "urgente", "inadiável" ou "para ontem". O stress não é algo natural e só a estupidez humana pode considerar que o ritmo imposto às nossas vidas faz alguma espécie de sentido. Não quer isto dizer que o trabalho não deva ser vivido com paixão, dedicação e empenho mas nunca se sobrepondo ao que realmente importa: a família, a nossa saúde e bem estar.

Mas a pergunta a carecer de resposta era "Para onde?", abandonada que estava a ideia da Patagónia por estar fora do orçamento e em pleno Inverno Austral, Japão, China e Estados Unidos por serem demasiado caras. Altura de projectos mais racionais...

A surgir primeiro em cima da mesa o projecto antigo de percorrer by car o Reino Unido. Em algum sitio haviam de estar as folhas com os itinerários previstos, moradas de parques de campismo, dicas para passeios, brochuras descarregadas da net acerca dos parques naturais. Se tudo quanto víamos e líamos nos excitava a imaginação, antecipar um Verão cheio de aguaceiros - Agosto é dos meses com maior pluviosidade - levou-nos a reconsiderar.

Porque não o Benelux? Amesterdão, Bruxelas, os campos de tulipas e os moinhos dos Poulders? Aos poucos também esta ideia esmoreceu à medida que outras possibilidades surgiam timidamente no horizonte. Sul de França, Pirinéus, Brasil... Então e que tal a Noruega? Bem sei que foi o destino do ano passado mas ficou tanta coisa para ver e fazer que iria ser como uma estreia. Talvez fazer o Cruzeiro do Árctico a bordo de um qualquer Ferry, ir até Tronsom e assistir a uma eventual aurora boreal. Ou então uma expedição de caiaque pelos fiordes acampando nas margens a cada noite...

De avião mais hotel seria muito caro e de carro muito longe... Dois dias a conduzir para lá, mais dois ou três para o regresso iriam consumir em estrada demasiado tempo útil.

Então surgiu outra hipótese que aos poucos ganhou força - a Suiça. Curiosamente nunca tinha antes sido considerado um dos destinos "prováveis". Talvez demasiado conotado com as faustosas estâncias de ski, com a neve e o frio para ter chamado a atenção antes.

Mas está lá tudo: uma natureza pujante, montanhas dramáticas e cenários míticos que o homem sempre procurou conquistar levando ao aparecimento do alpinismo, uma cultura fortemente enraizada e expressa nos seus mais de 700 anos de independência. Mais a mais, perfeitamente acessível de carro e com um modo de vida campista perfeitamente implantado. Um destino perfeito, portanto!

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