Depois de instalado na casa nova há sempre coisas que teimam em não ficar completamente arrumadas. A biblioteca é uma dessas "coisas". As colecções ganham logo o seu destaque, ficam bem todas juntas, com as lombadas do mesmo tamanho a darem um ar de classe às prateleiras. Depois há os outros, os "diversos", livros de editoras variadas, de múltiplos autores, comprados ao sabor do capricho e que dão um ar de certa anarquia aos locais onde se arrumam.
No meio desta balbúrdia toda lá andam os livros do meu passado. Antes da chegada do Harry Potter, do Eragon e de outros heróis, já o Chico, o Pedro, o João, a Teresa e a Clara, para não falar do Faial preenchiam o imaginário dos infantes e juvenis deste país. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada conseguiram a proeza de por os jovens de livros na mão, descobrindo nas páginas dos livros d’”Uma Aventura” o prazer da leitura e o gosto das letras em português.
Marcaram uma geração que os lia na escola, ou em casa, ou nos transportes públicos. Tal como Enyd Blyton fizera antes delas com “Os cinco”, eram os nossos pais leitores de descoberta, a receita era simples e de fácil utilização: um grupo com as mesmas características que o público-alvo, o inseparável companheiro animal e a possibilidade de salvar o mundo, mesmo se é apenas o mundo do bairro, das más intenções e dos bandidos sem escrúpulos. Hoje olho e vejo que nunca seria possível igualar na realidade aquela ficção mas não levo a mal. Tenho a minha colecção nas prateleiras da biblioteca e volta e meio regresso às mesmas histórias, com um sorriso estúpido na cara ante as piadas das personagens ou os desfechos previsíveis. Tenho uns trinta livros, alguns que ainda nem sequer li, outros que repeti com insistência. O meu filho quando tiver a idade vai achar que são uma estopada mas estarão ali para ele descobrir que é essa a opinião que tem. Moldará a sua opinião de acordo com as suas aprendizagens e nisso, aqueles e outros livros terão uma palavra a dizer.
Marcaram uma geração que os lia na escola, ou em casa, ou nos transportes públicos. Tal como Enyd Blyton fizera antes delas com “Os cinco”, eram os nossos pais leitores de descoberta, a receita era simples e de fácil utilização: um grupo com as mesmas características que o público-alvo, o inseparável companheiro animal e a possibilidade de salvar o mundo, mesmo se é apenas o mundo do bairro, das más intenções e dos bandidos sem escrúpulos. Hoje olho e vejo que nunca seria possível igualar na realidade aquela ficção mas não levo a mal. Tenho a minha colecção nas prateleiras da biblioteca e volta e meio regresso às mesmas histórias, com um sorriso estúpido na cara ante as piadas das personagens ou os desfechos previsíveis. Tenho uns trinta livros, alguns que ainda nem sequer li, outros que repeti com insistência. O meu filho quando tiver a idade vai achar que são uma estopada mas estarão ali para ele descobrir que é essa a opinião que tem. Moldará a sua opinião de acordo com as suas aprendizagens e nisso, aqueles e outros livros terão uma palavra a dizer.
É uma colecção que pertence aos que cresceram na década de 80 do século XX e é perfeitamente compreensível que a geração da playstation e da Internet não vá em historietas tão naif depois de ter chegado aos últimos níveis dos jogos de computador mais realistas que a tecnologia já produziu. Mas o mérito dos livros terem preenchido as tardes livres e os furos da escola de uma geração ninguém lhes tira. Eu gosto deles e gostava de agradecer às autoras momentos como aquele “pericolossen”, ou aquele “olha são gemas! Não, responde o Chico, uma é gema, a outra é Clara!”, piadas do fundo da algibeira, mas tão autênticas ontem como hoje nas bocas dos miúdos.
Bem, chega de saudosismos por hoje, tenho de ver se arranjo literatura moderna com que me entreter… se continuo assim ainda me chamam velho.

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