terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Extemporâneo


Há muito tempo que não acontece nada extemporâneo, inesperado, que saia do poucochinho. Assim estilo... eu sei lá... decidir ir jantar a Évora num repente e ir, sem pensar nos cento e tal quilómetros que a carne de porco à alentejana vai custar. Ou assim género "se um desconhecido lhe oferecer flores" directamente no emprego. Ou então comemorar o dia dos namorados em pleno mês de Março no Castelo das Sete Rainhas, esse mesmo, a praça de armas de Óbidos.

Chamar estes acontecimentos de extemporâneos é remeter a vida que levamos para o reino do desinteresse, constatação dolorosa e crítica da prisão castradora em que nos encafuamos no "dia a dia".

As rotinas têm o seu lado bom, dão-nos conforto e segurança no domínio das situações, conferem previsibilidade óptima para anteciparmos o rumo dos acontecimentos e não nos deixarmos arrastar por eles. Mas também há um lado perverso sob a forma de uma espécie de transe que nos impede de ver que há mais vida para além daquela que arquitectámos para a nossa matriz diária.

E suspiramos porque os dias são todos iguais...

Olhemos para as nossas mãos e para o espelho que nos reflecte o rosto. É nelas e nesse ser que nos olha que está a solução para esses "males". Quem é que sempre quis ser músico? Ponha o braço no ar! É com essa mão que escreve? Então asine a inscrição numa escola de música. Quem é que está farto do trabalho até às 10 da noite sem que o patrão sequer saiba, ou então não reconheça? Então, disponibilidade das 9 às 18, mas disponibilidade a sério, dar o litro para tudo fazer e depois ir para casa que está lá a mulher e filhos à espera, vestidos e prontos para irem ao cinema.

Lembra-se do vizinho do 4º esquerdo? Sim, esse mesmo. Morreu com um ataque cardíaco. Fartava-se de trabalhar, andava sempre triste e carrancudo. Agora é pó. Cremado. Lançado ao vento.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

"Ali é que o convento bem fica" ou Benfiqh?

"O nome deste bairro de Lisboa é muito conhecido por ser o mesmo da agremiação desportiva do Sport Lisboa e Benfica. No que diz respeito à origem do topónimo Benfica correm duas historietas tendentes a explicá-la. Uma delas envolve o rei D. Pedro I que nos tempos da sua mocidade ter-se-ia apaixonado por uma senhora casada, de seu nome Aldonça. Ao saber daquele pecaminoso conluio, o marido de D. Aldonça resolveu sequestrá-la a fim de que o Rei D. Pedro não mais a pudesse ver. Irado com tal decisão o Cruel rei mandou matar o marido cuco.
Sentindo remorsos do ciumento acto, o rei D. Pedro I propôs a um abastado judeu banqueiro da praça de Lisboa se ele não se importava de casar com a triste viuvinha Aldonça, proposta essa logo aceite. O povo, na sua veia jocosa, passou logo a dizer: "Agora é que Aldonça bem fica!"
A outra historieta inventada para explicar a origem do nome Benfica é assim contada: Quando o rei D. João I doou aos frades dominicanos uma quinta que tinha em Benfica para nela aqueles monges construírem o seu convento, o ministro de estado, o jurisconsulto João das Regras, teria dito essa frase: "Ali é que o convento bem fica!"
tanto uma como outra destas histórias não passam de etimologias populares, logo sem qualquer verosimilhança com a verdade linguística. Faz-se assim mister investigar criteriosamente a origem daquele nome a fim de ficarmos a saber como ele nasceu.
No tempo em que os mouros conquistaram Lisboa, os arrabaldes a noroeste da cidade estavam ocupados por quintas, hortas e casais que produziam cereais e produtos hortícolas para alimentar a população da cidade. Uma das áreas mais produtivas era, decerto, a de Benfica. Para satisfazer as necessidades religiosas da moirama naquela área residente, foi ali construída uma mesquita, nome dado ao templo árabe onde se adora Alá.
As mesquitas árabes são servidas por religiosos, um dos quais tem como função ler e explicar as suras contidas no Alcorão, nome dado à Biblia islamita. O nome dado a esse religioso é o de Fiqh. Com a morte do Fiqh ficou a substitui-lo o "filho", palavra que em árabe é ben. nasce assim a expressão árabe Benfiqh que entraria no nosso idioma sob a escrita Benfique, actual Benfica."
Pelo Prof. Batalha Gouveia (in Diário Desportivo, Sexta feira, 9 de Fevereiro de 2007)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007