quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Without Hope or Agenda

Ao lado do écran de computador, prisioneiro no meio das canetas e lapiseiras, guado um postal de distribuição gratuita que retirei do mostrador de um bar em Santos. Fundo vermelho e letras brancas: FELIZ. É o que tem escrito no centro, como um imperativo de consciência e uma necessidade premente de concretização.
Hoje é dia de estar muito Feliz, é o dia em que comprei uma dívida de 40 anos com um banco, em que antecipo uma vida de trabalho forçado para pagar a renda mês após mês até estar velhinho.
E tudo para ter o ninho mais agradável que podia encontrar, onde poderei acarinhar o amor, onde poderei ver crescer crianças, ouvir sentidos risos, e espero eu, deixar passar as tristezas ao lado.
Hoje fiz-me dono do Lar que assistirá a um crescendo de felicidade, haja olhos para a apreciar e coração para a guardar.
Não espero nada de especial, apenas a oportunidade de acordar dia sim, dia sim, com alguém especial ao lado e fazer por tornar cada dia um upgrade do anterior. Não faço planos, as coisas serão o que forem e cá estarei para apreciar.
O resto são notas de rodapé no telejornal: algum interesse terão, mas não vou prestar atenção.

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