sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Abstraction


State of Mind.
State of Being.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Shame on you, Mr. Bush!

Este senhor merecia um NOBEL pelo discurso.

Ministro Brasileiro de Educação visitou os EUA... Não é todos os dias que um Brasileiro dá um "baile" educadíssimo aos Americanos... sem ser no futebol.

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos o Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"
ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO, foi Censurado. Mas não aqui.
(Na sua circulação pela Internet, calhou chegar às minhas mãos. Gostava que passasse pelas suas)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

...

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida

(Sophie de Mello Breyner Anderson, em O Búzio de Cós e outros poemas)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Without Hope or Agenda

Ao lado do écran de computador, prisioneiro no meio das canetas e lapiseiras, guado um postal de distribuição gratuita que retirei do mostrador de um bar em Santos. Fundo vermelho e letras brancas: FELIZ. É o que tem escrito no centro, como um imperativo de consciência e uma necessidade premente de concretização.
Hoje é dia de estar muito Feliz, é o dia em que comprei uma dívida de 40 anos com um banco, em que antecipo uma vida de trabalho forçado para pagar a renda mês após mês até estar velhinho.
E tudo para ter o ninho mais agradável que podia encontrar, onde poderei acarinhar o amor, onde poderei ver crescer crianças, ouvir sentidos risos, e espero eu, deixar passar as tristezas ao lado.
Hoje fiz-me dono do Lar que assistirá a um crescendo de felicidade, haja olhos para a apreciar e coração para a guardar.
Não espero nada de especial, apenas a oportunidade de acordar dia sim, dia sim, com alguém especial ao lado e fazer por tornar cada dia um upgrade do anterior. Não faço planos, as coisas serão o que forem e cá estarei para apreciar.
O resto são notas de rodapé no telejornal: algum interesse terão, mas não vou prestar atenção.
A vida é demasiado curta para ter dois dias iguais!

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Serra do Bussaco

No centro do país, logo a seguir a Penacova para quem vem da A1, eleva-se a Serra do Bussaco. Nas suas encostas esconde-se um dos mais belos tesouros, parte obra do homem, a outra presente da natureza, dos que existem no nosso país. Por detrás de grossos muros, aqui e ali esboroados ante o poder destrutivo dos elementos, fica a Mata nacional do Bussaco e no seu interior o devaneio neo-manuelino de Manini. Os retorcidos de pedra de ança, os arcos calcários de fino recorte e aplicado esculpido parecem, iluminados pelo sol, intrincadas peças de filigrana. E tão extremosa peça de joalharia só poderia ser usada com o vestido mais vistoso e raro, oriundo da mais nobre procedência. Nisto se aplicou a natureza, oferecendo ao olhar um padrão de frescos verdes, castanhos carregados, pitadas de amarelo d’oiro numa mescla florestal que seduz a vista e conduz o olhar pelas copas diferentes das muitas espécies diferentes. Passear por aquela mata é entrar num reino encantado, não surpreendendo se algum duende ou ser de índole fantástica nos saltar ao caminho, sensação incrementada pela existência de pequenas construções ao longo dos carreiros em representação da via sacra. As dimensões reduzidas remetem para a lembrança de crianças, espécie de casinhas de bonecas não fosse a sacramental função. Passos de expiação, passos de reflexão, uma ama por todas as almas… São vestígios históricos de monges eremitas, Carmelitas Descalços descrentes nos homens como crentes em Deus, alicerçando a sua salvação eterna no afastamento total da sociedade, dos seus irmãos, porque afinal como dizem, somos todos… O sonho de Manini nasceu das ruínas do Convento de Santa Cruz do Bussaco, erigido para a glória do Senhor. Onde dantes haviam celas, hoje existem suites de luxuriante beleza e ostentação, e onde dantes reinava a frugalidade, hoje assiste-se ao banqueteamento do corpo, mais do que do espírito, violando com o pecado da gula e da vaidade a santidade da existência. E adicione-se também a luxúria, que ninguém pense naqueles quartos como meras alcovas para dormir… Caminhar por entre os bosques de espécies exóticas e autóctones num estranho equilíbrio botânico é ter oportunidade de experimentar a rendição dos sentidos, pois para onde quer que se olhe, onde quer que as mãos toquem, há sensações novas e vibrantes. O borbulhar da água saltitante nos degraus da famosa cascata, o tamanho avassalador dos fetos que rodeiam o lago, o ar puro e fresco que se inspira profundamente… como negar a evidência de um festim sensacional para as entranhas do ser? Mas como em todos os locais cenográficos é para cima que os caminhos levam, num crescendo de espectacularidade. A Cruz Alta é o ponto cimeiro, o passo final da representação encenada para recordar as agruras de Cristo nos últimos dias na Terra. Lá no topo a paisagem é toda muita abraçando a totalidade do horizonte. São 360º de serras verdes e uma branca, a Estrela nevada lá muito ao longe. Há aldeias e vilas e cidades à vista, aglomerados esbranquiçados no regaço dos relevos, abraçados a toda a volta por um país imenso. Não percebo a tal da pequenez quando todo o horizonte nos pertence, a nós, olharapos embasbacados e a nós povo, embasbacados rapa-tachos. De tanto nos fazermos de anõezinhos teremos acabado com o convencimento da pequenez? Mas mais do que pequeninos, somos sobretudo esquecidos… não fazemos caso das façanhas imputáveis, aos descobrimentos, à coragem, aos mundos que ofertámos ao mundo. Talvez precisemos todos de uma Cruz Alta para compreender o nosso lugar. Cruzes carregamos muitas e nem sempre sabemos escolher as mais leves. É só quando saímos do castrador impacto das nossas fronteiras que revelamos a veracidade dos nossos genes. É ver-nos a ser cientistas, escritores, professores, médicos, artistas, trabalhadores e operários da mais alta estirpe e elevado gabarito. Perante a beleza que se oferece da Cruz Alta é fácil entregarmo-nos a um assoberbado orgulho que engrandece os nossos sentimentos. Mas não seria preciso tanto, bastaria recuar na História e pensar mas invasões francesas e no desfecho de uma certa batalha… Essa mesma que vai buscar o nome àquele local onde os exército estrangeiro de intenções conquistadoras, comandado por Massena foi derrotado e mandado para trás. Naquela altura, quando toda a Europa já se dobrava para fazer vénias a Napoleão, nós, os tais pequenos, sem ambição e sem objectivos ainda lhe dávamos luta. E que luta! 65000 franceses, bem armados e equipados contra 25000 dos nossos, mal calçados e pior armados e outros tantos de Inglaterra, um pouco melhor ataviados. Fechando os olhos talvez o vento ainda traga algum do cheiro a pólvora e o barulho dos canhões. Uma ou outra bala rasante furando as folhas largas dos castanheiros ou das borracheiras.
O devaneio de Manini talvez represente isso mesmo, o sonho de um país que se permite sonhar como país, que defende esse sonho vai para 800 orgulhosos anos, independente e senhor do seu destino.
Havia quem quisesse para esse sonho um 5º império, mas disso rezarão outras crónicas…