
Algo que se pode descobrir facilmente quando nos dispomos a contactar outras gentes e outras culturas é que por mais reservadas que nos pareçam, estão sempre prontas a dar-se a conhecer. É uma característica humana, a curiosidade, e todos a sentimos por igual. Nós "ocidentais", do "mundo desenvolvido", ansiamos por descobrir como é a vida daqueles homens e mulheres que encontramos nos países distantes e diferentes, às vezes infinitamente mais pobres, outras infinitamente mais ricos.
A curiosidade leva-nos a perguntar e a maior parte das vezes conseguimos as respostas que ansiamos. mas não sem que se estabeleça um processo de troca. Respondem-nos na condição de poderem, também eles, perguntar. O resultado é um processo mútuo de admiração perante o outro, perante os seus costumes e opções de vida.
Por exemplo, Godfried, o jovem guia do safari no Kruger Park. À primeira vista e a julgar também pelo nome que ostenta, poder-se-ia pensar ser um jovem urbano que bebeu do estilo de vida que os "ocidentais" levaram para aquele país, totalmente desgarrado do mosaico étnico local.
NIM. O nome recebeu-o do médico alemão que o ajudou a nascer na sua aldeia no meio do mato. A sua vida perigou em infante, viu a morte a espreitar detrás do embondeiro mas deixou-se ficar para ir à luta. Deus seria seu amigo e aliado? A crença do médico foi que sim e assim ganhou o seu nome: amigo de Deus - Godfried.
Urbano? O suficiente! Consegue receber os turistas e conviver com os visitantes, é conhecedor das ferramentas informáticas e do universo Web, tem conhecimento geral q.b..Ao mesmo tempo permanece fiel às tradições dos seus, da sua cultura ancestral na tribo Venda.
Não sendo dos grupos mais expressivos no puzzle multiracial da África do Sul, é natural que o estrangeiro não tenha deles qualquer ideia. Num breve apontamento são oriundos do Zimbabué e têm expressão naquela faixa de território que une o Zimbabué, a África do Sul e Moçambique. No mais, combinam casamentos entre as famílias, as mulheres são obrigadas a cumprir os acordos feitos pelos progenitores e os rapazes idem idem, aspas aspas. Na fase de vida em que ainda não atingiram a independência são moeda de troca e o lacre que sela acordos e alianças, são a face visível da união de famílias e clãs quando não de aldeias inteiras. Nos olhos dos tão civilizados europeus (os tais das duas guerras mundiais, lembram-se?) isto poderá ser um comportamento bárbaro e inferior mas a verdade é que moldou o carácter e firmou o sentido de honra daquelas pessoas. O nosso interlocutor é apenas o exemplo mais vívido por estar ali, contando no seu inglês perfeito o conteúdo das suas experiências.
A curiosidade leva-nos a perguntar e a maior parte das vezes conseguimos as respostas que ansiamos. mas não sem que se estabeleça um processo de troca. Respondem-nos na condição de poderem, também eles, perguntar. O resultado é um processo mútuo de admiração perante o outro, perante os seus costumes e opções de vida.
Por exemplo, Godfried, o jovem guia do safari no Kruger Park. À primeira vista e a julgar também pelo nome que ostenta, poder-se-ia pensar ser um jovem urbano que bebeu do estilo de vida que os "ocidentais" levaram para aquele país, totalmente desgarrado do mosaico étnico local.
NIM. O nome recebeu-o do médico alemão que o ajudou a nascer na sua aldeia no meio do mato. A sua vida perigou em infante, viu a morte a espreitar detrás do embondeiro mas deixou-se ficar para ir à luta. Deus seria seu amigo e aliado? A crença do médico foi que sim e assim ganhou o seu nome: amigo de Deus - Godfried.
Urbano? O suficiente! Consegue receber os turistas e conviver com os visitantes, é conhecedor das ferramentas informáticas e do universo Web, tem conhecimento geral q.b..Ao mesmo tempo permanece fiel às tradições dos seus, da sua cultura ancestral na tribo Venda.
Não sendo dos grupos mais expressivos no puzzle multiracial da África do Sul, é natural que o estrangeiro não tenha deles qualquer ideia. Num breve apontamento são oriundos do Zimbabué e têm expressão naquela faixa de território que une o Zimbabué, a África do Sul e Moçambique. No mais, combinam casamentos entre as famílias, as mulheres são obrigadas a cumprir os acordos feitos pelos progenitores e os rapazes idem idem, aspas aspas. Na fase de vida em que ainda não atingiram a independência são moeda de troca e o lacre que sela acordos e alianças, são a face visível da união de famílias e clãs quando não de aldeias inteiras. Nos olhos dos tão civilizados europeus (os tais das duas guerras mundiais, lembram-se?) isto poderá ser um comportamento bárbaro e inferior mas a verdade é que moldou o carácter e firmou o sentido de honra daquelas pessoas. O nosso interlocutor é apenas o exemplo mais vívido por estar ali, contando no seu inglês perfeito o conteúdo das suas experiências.
No entanto, e apesar do orgulho que tem nas suas raízes, Godfried é um exilado. Bebeu demasiado do estilo de vida moderno. Recusou-se a cumprir o casamento combinado por uma questão de amor: o que não nutria pela rapariga escolhida, o próprio por ser a base da sua dignidade. Preza demasiado o seu livre arbítrio e a capacidade de escolha para não ser ele a decidir sobre a mulher com quem vai casar e assim, de uma forma inapelável, foi forçado a sair de casa.
Contudo, participa nos rituais que pode, com o seu grupo de amigos: canta e dança e atinge os seus nirvanas, mantendo intacta a sua identidade.
Alguma vez teria ouvido falar nos Venda se não tivesse saído de casa? Duvido seriamente. Talvez se por um acaso fossem capa da National Geographic Magazine... Mas até por essa via seria difícil pois sou leitor demasiado esporádico.

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