terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Um raio de luz na noite escura


“Um Raio de Luz na Noite Escura” é o nome do livro do qual fui à apresentação na semana passada no Museu da Cidade. Um livro de Albano Estrela, que seria há uns anos seria Prof. Albano Estrela. Contudo, risque-se o “Prof.”, pois tal como o próprio disse, “Professor já fui, agora estou reformado.” – bem, não sei se um professor deixa alguma vez de o ser, mas quem sabe, sabe!
No seu livro existe um conto “ A Última Noite”, cuja personagem principal é Mário Sá Carneiro. Às páginas tantas Mário diz: “Estou a repetir-me, sempre a repetir-me. Escrevo o que já escrevia há cinco anos.”
Estranhas palavras? Talvez não…
Há escritores que escrevem sempre o mesmo livro, cineastas que fazem sempre o mesmo filme… Será que se vivessemos várias vidas, também viveríamos a mesma? Talvez só mudássemos o cenário das viagens que fazemos... E as verdadeiras viagens? As aprendizagens que fazemos nos caminhos que percorremos?
Será que as pessoas com quem nos cruzaríamos deixariam em nós uma herança diferente, ou será que nos ensinariam, tal como ensinam (se estivermos atentos e disponíveis) exactamente aquilo que temos para aprender?
Talvez só mudássemos o cenário…

Então, afinal, porque é que não vemos tantas vezes o que a vida tem de bom? Teríamos desculpa se vivessemos várias vidas... seria como assistir várias vezes ao mesmo filme e descobrir sempre pormenores novos. Infelizmente só compramos bilhete para uma sessão, acho um desperdício tanta distracção.

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