Fez ontem, 26 de Dezembro de 2006, 2 anos que um imenso tsunami varreu o litoral de praticamente todo o sudoeste asiático. Não é aniversário para parabéns nem ocasião para celebrações. Morreram, ou estima-se que morreram, 220.000 pessoas. Foram notícia os turistas. Pouco menos de 2500. O valor da vida aparentemente sofre cotações de mercado...
217.500 escaparam aos media mas não às ondas, não à sina de viverem em pedaços de areia, terra e rocha negra, largados ao acaso pelo Índico, ou por ele banhados. Fosse no Pacífico e não teria acontecido, que não é oceano para grandes altercações. Ou talvez acontecesse, que isto de paz e descanso nem sempre evita que se salte a tampa.
Sem pejo tantos seres minúsculos foram engolidos, alguns até aí nunca tinham visto o mar. NUNCA. Foram apanhados no meio da selva de onde nunca tinham saído, alguns a vários km do oceano. Foram apanhados a meio da viagem de comboio a caminho do trabalho, algures numa cidade tão pobre quanto eles, apanhados no decurso do seu atormentado percurso.
217.500 escaparam aos media mas não às ondas, não à sina de viverem em pedaços de areia, terra e rocha negra, largados ao acaso pelo Índico, ou por ele banhados. Fosse no Pacífico e não teria acontecido, que não é oceano para grandes altercações. Ou talvez acontecesse, que isto de paz e descanso nem sempre evita que se salte a tampa.
Sem pejo tantos seres minúsculos foram engolidos, alguns até aí nunca tinham visto o mar. NUNCA. Foram apanhados no meio da selva de onde nunca tinham saído, alguns a vários km do oceano. Foram apanhados a meio da viagem de comboio a caminho do trabalho, algures numa cidade tão pobre quanto eles, apanhados no decurso do seu atormentado percurso.
Imediatamente se mobilizou a boa vontade do mundo que imediatamente montou um plano de ajuda à escala planetária. Dinheiro, mantimentos e roupas chegaram rapidamente. Já nem vou questionar porque é que a ajuda não é constante e igual durante todo o ano a toda esta metade desfavorecida da Terra. Recursos há-os, obviamente.
Questiono-me, isso sim, se fazemos tudo o que podemos por este sudoeste asiático imenso que vive no limiar da dignidade e no pranto de não saber se tem futuro. Existem ilhas que deixam de o ser com certas marés que cobrem toda a pretensão de ser terra firme, costas que se vêem assediadas pela força das ondas mais fortes. Existem vidas a prazo, suspensas num fio feito d'água.
Faz 2 anos que se deu o maremoto.
faz 100 anos que afogamos lentamente uma parte da Humanidade.
Nota: A poluição atmosférica que afecta a camada do ozono, que afecta a temperatura média, que a faz aumentar, que faz derreter as calotes polares, que adiciona milhões de litros aos oceanos... tem aumentado continuamente desde a revolução industrial. Ainda é preciso lembrar que estamos apenas à boleia de um planeta? Será que andamos aos pontapés nos meios de transporte diários que temos de apanhar? Então porque o fazemos a quem nos leva do tempo A ao tempo B?

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