"Para lá do Marão, mandam os que lá estão" reza o adágio popular. manda a genética local, a tradição, os costumes de quem se viu encurralado entre montanhas e teve de encontrar modos de ultrapassar dificuldades. O clima, o isolamento, a distância de todas as decisões ajudaram a temperar as gentes e a incutir nelas um sentimento muito forte de independência. Que se mantém até hoje. A origem do dito perde-se nas malhas do passado, enlaçado em mil versões diferentes, em histórias de aldeia, em factos trazidos na História, em lendas de subjugação de estrangeiros estranhos à vontade e leis locais. Perde-se em fundos de verdade. Se é boa ou má esta autonomia extrema, esta independência acirrada, não há, deste lado, a competência para o julgar. Atrevo-me a pensar que sim, com a humildade que a subjectividade desse julgamento acarreta. Se de fora não chegam os ecos da justiça, da organização, da gestão do território e dos cuidados com as gentes, então têm as mesmas de lançar as mãos a essas tarefas e responsabilidades. E a responder e a fazer responder por elas.
Talvez devessemos fazer o mesmo...

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