terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Narciso


Creio que todos gostaríamos de ser de outra maneira qualquer. Uns mais gordos, outros mais magros, outros mais fortes, outros mais espertos, outros mais corajosos, outros a jogar melhor à bola, outros a tocar um instrumento musical... A lista continuaria pelo número exacto de pessoas existentes no planeta... A insatisfação deve ser um dos traços mais intrisecamente humanos e se nalguns casos passa despercebida, noutros é causa de grandes conquistas, motor de enormes descobertas. Porém noutros casos é o motivo que arrasta o ser para um tipo de existência doentia e sem sentido, marcada pela dependência mórbida de uma ou outra bengala para o Ego. fazem-se as coisas mais estúpidas para se tentar ser como o modelo que se escolheu, por mais idiota e impossível de alcançar que esse Ellos seja. E vice-versa. Fazem-se igualmente decisões mentecaptas por se achar que não se pode lá chegar.
A insatisfação devia vir com instruções de uso. Para ser o motor de coisas boas era importante que as pessoas soubessem como a transformar nesse élan primordial e fundamental que guia os passos numa direcção decidida, única, transponível. Até lá, até vir com as ditas sugestões de utilização, cada qual faça a sua sentença e aguente-se à bronca devida.

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