É um daqueles recantos da cidade luz que sem ter nenhum monumento dos ditos turísticos, daqueles que atraem as multidões e hordas de fotógrafos compulsivos e amadores, exerce sobre o visitante grande poder de sedução. É um lugar para saborear devagar, de braço dado ao nosso par como nos passeios de antigamente, sem preocupações de tempo nem tiques de pressa. Andar pelo andar, parando para contemplar as fachadas das mansões construídas entre 1627 e 1664 pelas famílias ricas e influentes. Discretas, de bom gosto, cada uma levemente diferente da do lado para marcar individualidade sem chocar, sem ofender, sem ostentar.
Algumas janelas com os cortinados afastados deixam antever o luxo e opulência dos interiores, hoje, ainda e sempre nas mãos de uma burguesia endinheirada, fina flor das listas de clientes de qualquer banco na Suiça.
Foi assim, por acaso e sem pressas que demos com aquela loja magnífica expositora das mais belas máscaras venezianas e outras caraças de teatro.
Minto ligeiramente, foi à pressa! Urgência de protecção de um aguaceiro de Verão. A nuvem sem avisar atirou a despejar o dilúvio sobre Saint Louis e apanhando-nos pelo meio, em fuga nos colocou. Corremos pela calçada escorregadia e a primeira loja que encontrámos transformou-se em refúgio. Entrámos de um salto, ficámos uns segundos mirando a bátega de água em queda, desfazendo-se numa ligeira névoa no impacto com o solo mas quando nos virámos, já agora para ver o que se vendia, espanto ante a beleza dos artigos, a suavidade das cores, a profusão das expressões. Máscaras de alegria, de tristeza, de medo, de admiração, de dúvida... Faces de mimo arrancadas do mimo, só a cara impressa em gesso.
A chuva foi-se como veio e nós fomos mais ricos, mais preenchidos e felizes. Descemos o resto da rua até ao semáforo, o braço dado como nos idos de antigamente. Ao virar da esquina um olhar a dois para a rua encharcada até aos alicerces e um sorriso cúmplice a uma viagem prometida: a Veneza no carnaval. C'est pas mal!
Algumas janelas com os cortinados afastados deixam antever o luxo e opulência dos interiores, hoje, ainda e sempre nas mãos de uma burguesia endinheirada, fina flor das listas de clientes de qualquer banco na Suiça.
Foi assim, por acaso e sem pressas que demos com aquela loja magnífica expositora das mais belas máscaras venezianas e outras caraças de teatro.
Minto ligeiramente, foi à pressa! Urgência de protecção de um aguaceiro de Verão. A nuvem sem avisar atirou a despejar o dilúvio sobre Saint Louis e apanhando-nos pelo meio, em fuga nos colocou. Corremos pela calçada escorregadia e a primeira loja que encontrámos transformou-se em refúgio. Entrámos de um salto, ficámos uns segundos mirando a bátega de água em queda, desfazendo-se numa ligeira névoa no impacto com o solo mas quando nos virámos, já agora para ver o que se vendia, espanto ante a beleza dos artigos, a suavidade das cores, a profusão das expressões. Máscaras de alegria, de tristeza, de medo, de admiração, de dúvida... Faces de mimo arrancadas do mimo, só a cara impressa em gesso.
A chuva foi-se como veio e nós fomos mais ricos, mais preenchidos e felizes. Descemos o resto da rua até ao semáforo, o braço dado como nos idos de antigamente. Ao virar da esquina um olhar a dois para a rua encharcada até aos alicerces e um sorriso cúmplice a uma viagem prometida: a Veneza no carnaval. C'est pas mal!

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