
Gulbenkian é uma das instituições culturais mais importantes do país, e Amadeu de Souza Cardoso, um dos expoentes máximos da arte moderna em Portugal. Em Novembro de 2006 juntaram-se os dois, comemorando dois aniversários: o do cinquentenário da Fundação e a partida do pintor para Paris.
Quanto à pintura, as obras ficaram sem sombra de dúvida na memória, tal como o nosso esforço para compreender o seu conteúdo. Co-adjuvados por um casal também interessado em desvendar os mistérios da arte "Cardoseana" tentou-se entender o porquê dos títulos, as leituras por detrás da primeira impressão, o pormenor escondido que tudo diz. Mais à frente um segurança, que depois de tantas vezes ouvir a explicação do guia e dos visitantes experts em arte, já conhecia os meandros das obras que o rodeavam - um bem-haja ao segurança sem nome ajudou na compreensão de uma ou outra obra. Atabalhoado, sem certezas certas mas com a maior das boas vontades.
Mas foi exactamente um segurança que marcou esta exposição. Esta personagem também sem nome, embora com filiação, encontrava-se numa das portas de entrada para a exposição, e cumprimentava os clientes de forma calorosa.
O primeiro cliente-alvo foi um senhor aparentemente conhecido e conhecedor do nosso anfitrião, que apesar dos esforços de discrição levou uma valente palmada nas costas como cumprimento, mas tão valente, que apesar de não ser um lingrinhas, não teve outra opção senão dar dois passos em frente para se equilibrar. Senti-me bem por não me conhecer...
O segundo cliente, foi alvo de uma situação bem mais caricata, até porque nos deu a conhecer algo mais sobre o nosso personagem. Após olhar com alguma atenção para o ele, disse com um olhar inquisidor mas caloroso: "a sua cara não me é estranha", o cliente olhou também com atenção, mas aparentemente nada no nosso segurança despertou a zona de reconhecimento de faces do seu cérebro. Mas a nossa personagem continuou "Não me está a reconhecer?", e face à expressão envergonhada e avermelhada do interlocutor continuou: "mas eu estou a reconhecê-lo, e o Sr. conhece o meu pai.". O cliente-alvo continuava a olhar como se tivesse sido colocado numa ribalta que não desejava, olhando em volta para tentar perceber a dimensão do palco e da plateia. Por fim a nossa personagem com a já famosa palmada nas costas, alivia o sofrimento do cliente dizendo "Sou eu, o filho do Manuel Bate-Chapas!" No entanto, e apesar das várias oportunidades que o nosso personagem lhe deu, o cliente ficou como estava, a não fazer a mais pálida ideia de quem era aquele senhor sorridente, bem-disposto e à-vontade, mas sem nenhuma ideia do mau-estar que provocava no outro, que se encontava à sua frente.

Sem comentários:
Enviar um comentário