terça-feira, 21 de agosto de 2007

Dia 1

Interlaken é um nome sem grande imaginação. Deve ser lido no seu sentido literal - entre lagos - pois é aí mesmo, entre dois belos lagos de azul celeste, sem comparação com o céu ou o mar, que a localidade se situa. Foi aí que decidimos que iríamos passar os primeiros dias. A sua localização central no país torna-a o ponto ideal para partir em excursões para outrops locais, a decidir mais tarde, fosse para ambientes citadinos ou para cenários naturais extremos.
2200km separam Lisboa de Interlaken, coisa que se resolve com um dia de viagem, quanto mais de seguida melhor. Ou pior, caso o cansaço aperte e obrigue a algum descanso.
Noite e dia a conduzir são de deixar qualquer um zonzo e quando o corpo pede tréguas a este esforço, o melhor mesmo é ouvir o que tem para dizer e aceitar a exigência com desportivismo. O tempo que se perde é tempo ganho, umas horas, por uma vida.
Fizemos duas paragens ao abrigo deste acordo, primeiro aportámos numa das muitas áreas de serviço que antecedem Bordéus e que abrigam outros como nós numa espécie de motel improvisado em que os próprios carros fazem as vezes de quartos. Para alguns a existência de pequenos canteiros relvados é a oportunidade ideal para sacarem da tenda que transportam consigo e arranjar moradia mais confortável... A segunda foi junto a Clermont-Ferrand, cidade união de duas que cresceram até se fundirem. Com o Puy de Dôme bem à nossa frente e os restantes vulcões da cordilheira a fazerem-lhe companhia fechámos os olhos e retemperámos forças. Nestas situações o cansaço revela-se um oportunista sem escrúpulos que espera pela mais pequena distracção para atacar. Cada vez que se pestaneja é uma oportunidade que lhe damos, com os olhos a quererem permanecer fechados por mais tempo. Cada segundo a mais que passa são vários metros percorridos sem ver a estrada...
Será este fantasma o maior problema ao viajar tanto tempo seguido, ainda mais com a noite pelo meio, com o escuro e os hábitos de sono a fazerem-se notar. mas outros perigos não são de menosprezar. Os do costume. Na área de serviço de Donostia-San Sebastian um enorme aparato policial denunciava que algo anormal tinha acontecido. Um jovem aguardava escoltado por dois agentes que o viessem buscar ou talvez que a situação se esclarecesse. Um pouco desviado, um casal de holandeses contava como um carro preto os forçou a encostar com direito a arma apontada e tudo. Os coletes à prova de bala que alguns polícias exibiam eram sintomáticos para perceber que ali os problemas são da pesada e que os cuidados a ter são sempre poucos.
Abastecia com os olhos postos neste espectáculo, enquanto ao lado enormes carrinhas mistas com cortinas tapando todos os vidros e que todos sabemos, ou imaginamos transportarem emigrantes ilegais de leste permaneciam paradas e vazias, não se vislumbrando os condutores em parte alguma.
No fundo são os mesmos predadores da noite que sempre existiram e que se aproveitam das sombras para se esgueirarem até junto das suas vítimas e atacando como uma mamba negra à primeira oportunidade. Antigamente creio que era pior, viajar era perigoso, muitas vezes mortal, agora acho que é a nossa imaginação que é perigosa, vendo monstros onde a maior parte das vezes não existe.
Numa das ocasiões parámos numa dessas áreas destinadas a camiões de longo curso. O receio ancestral das sombras e do escuro veio ao de cima. Estava calor, os pinheiros sussurravam acariciados pela brisa uma canção desconfortável mas toda a gente dormia ou o tentava nas cabines dos deus TIR. O medo levou a melhor e fomos para onde a luz pudesse denunciar a ameaça. E aí dormimos um pouco.

Perfeito!


A vontade de partir novamente começou logo no regresso da Escandinávia. No ano passado, portanto. Talvez não logo logo, que o corpo vinha cansado de estar dobrado no estreito espaço de uma cadeira de avião mas seguramente uns dias a seguir. Ao longo do ano várias hipóteses foram sendo levantadas, umas por pura loucura, outras já com os pés no chão, outras num misto de desejo recalcado que periodicamente nos visita. Eu diria, à falta de palavra melhor, quer a escolha do destino teve as suas "peripécias".

Após um ano cheio de trabalho a cabeça já não tem espaço para muita coisa a não ser pensar numa forma de se evadir de tudo o que rotulamos de "importante", "urgente", "inadiável" ou "para ontem". O stress não é algo natural e só a estupidez humana pode considerar que o ritmo imposto às nossas vidas faz alguma espécie de sentido. Não quer isto dizer que o trabalho não deva ser vivido com paixão, dedicação e empenho mas nunca se sobrepondo ao que realmente importa: a família, a nossa saúde e bem estar.

Mas a pergunta a carecer de resposta era "Para onde?", abandonada que estava a ideia da Patagónia por estar fora do orçamento e em pleno Inverno Austral, Japão, China e Estados Unidos por serem demasiado caras. Altura de projectos mais racionais...

A surgir primeiro em cima da mesa o projecto antigo de percorrer by car o Reino Unido. Em algum sitio haviam de estar as folhas com os itinerários previstos, moradas de parques de campismo, dicas para passeios, brochuras descarregadas da net acerca dos parques naturais. Se tudo quanto víamos e líamos nos excitava a imaginação, antecipar um Verão cheio de aguaceiros - Agosto é dos meses com maior pluviosidade - levou-nos a reconsiderar.

Porque não o Benelux? Amesterdão, Bruxelas, os campos de tulipas e os moinhos dos Poulders? Aos poucos também esta ideia esmoreceu à medida que outras possibilidades surgiam timidamente no horizonte. Sul de França, Pirinéus, Brasil... Então e que tal a Noruega? Bem sei que foi o destino do ano passado mas ficou tanta coisa para ver e fazer que iria ser como uma estreia. Talvez fazer o Cruzeiro do Árctico a bordo de um qualquer Ferry, ir até Tronsom e assistir a uma eventual aurora boreal. Ou então uma expedição de caiaque pelos fiordes acampando nas margens a cada noite...

De avião mais hotel seria muito caro e de carro muito longe... Dois dias a conduzir para lá, mais dois ou três para o regresso iriam consumir em estrada demasiado tempo útil.

Então surgiu outra hipótese que aos poucos ganhou força - a Suiça. Curiosamente nunca tinha antes sido considerado um dos destinos "prováveis". Talvez demasiado conotado com as faustosas estâncias de ski, com a neve e o frio para ter chamado a atenção antes.

Mas está lá tudo: uma natureza pujante, montanhas dramáticas e cenários míticos que o homem sempre procurou conquistar levando ao aparecimento do alpinismo, uma cultura fortemente enraizada e expressa nos seus mais de 700 anos de independência. Mais a mais, perfeitamente acessível de carro e com um modo de vida campista perfeitamente implantado. Um destino perfeito, portanto!

terça-feira, 29 de maio de 2007

As imagens do dia a dia que se dão a oferecer são por vezes simultaneamente caricatas e cheias de beleza, não pela plasticidade dos actos ou acontecimentos mas pelo que trazem de significado.
Ainda hoje de manhã, passando por um autocarro carregando miúdos, provavelmente para uma visita de estudo a algures, talvez simplesmente para os encaminhar às actividades extra-curriculares, lá estava o espectáculo das mães e avós quase chorosas, um festival de adeuses que parecia nunca mais terminar. Quem via de fora poderia ser levado a pensar que lhes roubavam as crianças para as levar para escusos destinos, para as obrigar a indescritíveis tarefas roubando-lhes a inocência e a infância. Mas os sinais estavam lá para quem os quisesse decifrar: a farda do colégio, bibes e panamás, a professora à frente atabalhoadamente procurando sentar toda a troupe, a escola mesmo por detrás emoldurando a cena...
Tratava-se obviamente da normalidade escolar, talvez menos normal por ser realmente uma viagem ao "terreno" onde as coisas acontecem e se dão a aprender mais depressa, mas ainda assim nada de substancialmente incomum.
Porquê então o exagero cénico dos braços no ar, o encosto ao autocarro como para prolongar o tempo e o contacto, mesmo se lá dentro os putos em brincadeiras já nem reparam? Talvez porque dessa forma o amor seja mais profusanmente ilustrado ante o mundo juíz e carrasco das emoções alheias, ser mas também parecer, para que lhe seja dado crédito e bendizida a existência.
Como se entregando-se aquela dança enérgica de braços no ar e quase prantos, "ai o meu menino", dissessem a Deus e aos passantes "eu gosto tanto dele, não sou como essas que os largam e vão-se embora". Não me espantaria que em casa o deixem esquecido ante o televisor, "está tão entretido o pequenino" mas na rua dá-lhes para o sentimento, o que se há-de fazer?
Quando é dada a partida ao autocarro desmobilizam-se as matriarcas, nada de mais adeuses à traseira da camioneta, apenas duas ou três das que se mantiveram calmas, encostadas ao muro ainda olham embevecidas, serão das que sofrem e riem em silêncio, no recato dos seus sentimentos, sem trânspor as fronteiras do privado.
Depois de desaparecido na curva, uns 200 metros adiante, desmobilizam igualmente. Uma delas caminha, passo sereno, pela calçada e entra na mercearia do bairro. Sai de lá com um pacote de rebuçados na mão. Hoje enquanto contará as histórias, rirão juntos partilhando a aventura, e o pirralho herói terá a sua justa recompensa.

Insular

A minha casa é insular. Um porto de abrigo no mar revolto. Uma enseada calma e reservada das ondulações extremas do oceano. E mesmo dentro da cidade.
Sinto-me como um navegador, um homem da água que anseia pelo conforto da terra rija para se sentir completo.
A cada manhã a primeira tarefa é medir o tempo, abrir a janela e avaliar os humores do clima para logo de seguida me encerrar na cabine da barba e banho preparando-me para a aventura diária. E depois zarpar para lá das amuradas protectoras da ilha.
O sustento assim obriga, à faina abnegada e ao trabalho desmesurado para que todos os dias haja que comer. E o ter que comer inclui nestes dias vertiginosos o ter o que vestir, o ter carro para andar e a televisão para poisar o olhar, e o leitor de DVD, e outro carro, e as férias no Brasil, e o computador portátil, e o PDA, e o novo telemóvel... Assim me dizem todos os colegas, que nunca nada chega para serem completos. Estranho essa necessidade, bastam-me os horizontes abertos e a imagem do nascer e pôr do sol. Chega-me o apelo dessa natureza imensa que me serve sem pedir quase nada de volta, talvez só um pouco de respeito...
Nunca há peixe suficiente para pagar as necessidades e a frustração cresce à medida que se aproxima o final do dia. Faina insuficiente para cumprir a totalidade dos desejos. Mesmo sendo poucos e justos. Haja saúde, pelo menos.
No regresso à ilha, apesar de todas as dificuldades há um crescendo de satisfação. Será talvez da segurança do porto, do ondear que fica para trás, da possibilidade de descansar sem o mareio que nos deixa permanentemente em prevenção.
Contra a impossibilidade da perfeição a satisfação faz-se de substância simples, a certeza de mais um dia vivido e a certeza de poder viver outro dia mais, em paz, apaziguado.
Descarrega-se o produto no cais e todo pesado há mais haver que dever... menos mal... sem remédio, sobe-se a calçada até ao lar e lá se repõem as forças que o trabalho roubou, virão outros desafios amanhã ou nos vindouros posteriores.
Chegado à ilha sou mais eu, e sendo mais eu posso ser mais para os outros. O mar dá pouco espaço para festas...
Mas como qualquer insular rodeado de mar, torna-se impossível fugir a ele. O chamamento do lar permanece, ainda assim mais forte e importante, como se fosse uma espécie de escudo ante o bulício do mundo. Sento-me no velho cadeirão de madeira, como um trono na varanda, e os olhos postos no azul do céu deitado no quadrado de água lá em baixo. Basta-me a simplicidade dos pequenos momentos para ser rei neste meu mundo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Uma Aventura

Depois de instalado na casa nova há sempre coisas que teimam em não ficar completamente arrumadas. A biblioteca é uma dessas "coisas". As colecções ganham logo o seu destaque, ficam bem todas juntas, com as lombadas do mesmo tamanho a darem um ar de classe às prateleiras. Depois há os outros, os "diversos", livros de editoras variadas, de múltiplos autores, comprados ao sabor do capricho e que dão um ar de certa anarquia aos locais onde se arrumam.
No meio desta balbúrdia toda lá andam os livros do meu passado. Antes da chegada do Harry Potter, do Eragon e de outros heróis, já o Chico, o Pedro, o João, a Teresa e a Clara, para não falar do Faial preenchiam o imaginário dos infantes e juvenis deste país. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada conseguiram a proeza de por os jovens de livros na mão, descobrindo nas páginas dos livros d’”Uma Aventura” o prazer da leitura e o gosto das letras em português.
Marcaram uma geração que os lia na escola, ou em casa, ou nos transportes públicos. Tal como Enyd Blyton fizera antes delas com “Os cinco”, eram os nossos pais leitores de descoberta, a receita era simples e de fácil utilização: um grupo com as mesmas características que o público-alvo, o inseparável companheiro animal e a possibilidade de salvar o mundo, mesmo se é apenas o mundo do bairro, das más intenções e dos bandidos sem escrúpulos. Hoje olho e vejo que nunca seria possível igualar na realidade aquela ficção mas não levo a mal. Tenho a minha colecção nas prateleiras da biblioteca e volta e meio regresso às mesmas histórias, com um sorriso estúpido na cara ante as piadas das personagens ou os desfechos previsíveis. Tenho uns trinta livros, alguns que ainda nem sequer li, outros que repeti com insistência. O meu filho quando tiver a idade vai achar que são uma estopada mas estarão ali para ele descobrir que é essa a opinião que tem. Moldará a sua opinião de acordo com as suas aprendizagens e nisso, aqueles e outros livros terão uma palavra a dizer.

É uma colecção que pertence aos que cresceram na década de 80 do século XX e é perfeitamente compreensível que a geração da playstation e da Internet não vá em historietas tão naif depois de ter chegado aos últimos níveis dos jogos de computador mais realistas que a tecnologia já produziu. Mas o mérito dos livros terem preenchido as tardes livres e os furos da escola de uma geração ninguém lhes tira. Eu gosto deles e gostava de agradecer às autoras momentos como aquele “pericolossen”, ou aquele “olha são gemas! Não, responde o Chico, uma é gema, a outra é Clara!”, piadas do fundo da algibeira, mas tão autênticas ontem como hoje nas bocas dos miúdos.
Bem, chega de saudosismos por hoje, tenho de ver se arranjo literatura moderna com que me entreter… se continuo assim ainda me chamam velho.
Depois da paragem para ver o frio passar, o regresso às viagens nossas de todos os dias.

Depois da hibernação, fome e sede de contar coisas, transmitindo alvoroços interiores, uns simplórios, quase saloios, outros dignos de debate académico, ora tese, ora antítese...

O que vier virá, e se verá se ganham o seu lugar no rol das coisas a recordar.

Hinberno!

EM HIBERNAÇÃO!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Extemporâneo


Há muito tempo que não acontece nada extemporâneo, inesperado, que saia do poucochinho. Assim estilo... eu sei lá... decidir ir jantar a Évora num repente e ir, sem pensar nos cento e tal quilómetros que a carne de porco à alentejana vai custar. Ou assim género "se um desconhecido lhe oferecer flores" directamente no emprego. Ou então comemorar o dia dos namorados em pleno mês de Março no Castelo das Sete Rainhas, esse mesmo, a praça de armas de Óbidos.

Chamar estes acontecimentos de extemporâneos é remeter a vida que levamos para o reino do desinteresse, constatação dolorosa e crítica da prisão castradora em que nos encafuamos no "dia a dia".

As rotinas têm o seu lado bom, dão-nos conforto e segurança no domínio das situações, conferem previsibilidade óptima para anteciparmos o rumo dos acontecimentos e não nos deixarmos arrastar por eles. Mas também há um lado perverso sob a forma de uma espécie de transe que nos impede de ver que há mais vida para além daquela que arquitectámos para a nossa matriz diária.

E suspiramos porque os dias são todos iguais...

Olhemos para as nossas mãos e para o espelho que nos reflecte o rosto. É nelas e nesse ser que nos olha que está a solução para esses "males". Quem é que sempre quis ser músico? Ponha o braço no ar! É com essa mão que escreve? Então asine a inscrição numa escola de música. Quem é que está farto do trabalho até às 10 da noite sem que o patrão sequer saiba, ou então não reconheça? Então, disponibilidade das 9 às 18, mas disponibilidade a sério, dar o litro para tudo fazer e depois ir para casa que está lá a mulher e filhos à espera, vestidos e prontos para irem ao cinema.

Lembra-se do vizinho do 4º esquerdo? Sim, esse mesmo. Morreu com um ataque cardíaco. Fartava-se de trabalhar, andava sempre triste e carrancudo. Agora é pó. Cremado. Lançado ao vento.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

"Ali é que o convento bem fica" ou Benfiqh?

"O nome deste bairro de Lisboa é muito conhecido por ser o mesmo da agremiação desportiva do Sport Lisboa e Benfica. No que diz respeito à origem do topónimo Benfica correm duas historietas tendentes a explicá-la. Uma delas envolve o rei D. Pedro I que nos tempos da sua mocidade ter-se-ia apaixonado por uma senhora casada, de seu nome Aldonça. Ao saber daquele pecaminoso conluio, o marido de D. Aldonça resolveu sequestrá-la a fim de que o Rei D. Pedro não mais a pudesse ver. Irado com tal decisão o Cruel rei mandou matar o marido cuco.
Sentindo remorsos do ciumento acto, o rei D. Pedro I propôs a um abastado judeu banqueiro da praça de Lisboa se ele não se importava de casar com a triste viuvinha Aldonça, proposta essa logo aceite. O povo, na sua veia jocosa, passou logo a dizer: "Agora é que Aldonça bem fica!"
A outra historieta inventada para explicar a origem do nome Benfica é assim contada: Quando o rei D. João I doou aos frades dominicanos uma quinta que tinha em Benfica para nela aqueles monges construírem o seu convento, o ministro de estado, o jurisconsulto João das Regras, teria dito essa frase: "Ali é que o convento bem fica!"
tanto uma como outra destas histórias não passam de etimologias populares, logo sem qualquer verosimilhança com a verdade linguística. Faz-se assim mister investigar criteriosamente a origem daquele nome a fim de ficarmos a saber como ele nasceu.
No tempo em que os mouros conquistaram Lisboa, os arrabaldes a noroeste da cidade estavam ocupados por quintas, hortas e casais que produziam cereais e produtos hortícolas para alimentar a população da cidade. Uma das áreas mais produtivas era, decerto, a de Benfica. Para satisfazer as necessidades religiosas da moirama naquela área residente, foi ali construída uma mesquita, nome dado ao templo árabe onde se adora Alá.
As mesquitas árabes são servidas por religiosos, um dos quais tem como função ler e explicar as suras contidas no Alcorão, nome dado à Biblia islamita. O nome dado a esse religioso é o de Fiqh. Com a morte do Fiqh ficou a substitui-lo o "filho", palavra que em árabe é ben. nasce assim a expressão árabe Benfiqh que entraria no nosso idioma sob a escrita Benfique, actual Benfica."
Pelo Prof. Batalha Gouveia (in Diário Desportivo, Sexta feira, 9 de Fevereiro de 2007)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007